Veleiro Champagne

Nome:
Local: Refugio das Caravelas, Paraty - RJ, Brazil

O Veleiro CHAMPAGNE é um sloop Cal de 30´ano 1986. Esta comigo desde 1999 e atualmente esta apoitado na Marina Refúgio das Caravelas em Paraty. Somente a partir de 2002 há registros das viagens na internet. Antes desta passagem pela Região de Paraty, Angra dos Reis e Ilha Grande, houveram passagens por Ilha Bela e Ubatuba, explorando-se todas estas regiões. Tenho estado no barco 6 vezes por ano em periodos de 12 a 20 dias sempre subindo em direção ao Nordeste, sem pressa e sem muito planejamento. Este site, mais do que um meio de divulgação, é principalmente um seguro arquivo pessoal. Uma curiosidade: moro em Cuiabá, capital do Estado de Mato Grosso e centro geodésico da America do Sul, portanto estou em um dos pontos mais distantes do mar de todo o continente. Bem vindo a bordo, bons ventos e boa navegada. Fernando Quaresma

domingo, dezembro 22, 2002

Viagem 5

Em dezembro de 2002, estive de volta ao Champagne. Desta vez não segui para a Ilha Grande, resolvi ficar na região de Paraty porque estava na expectativa de assistir o Santos F.C. na final do campeonato Brasileiro e fiquei por la mesmo. Foi melhor porque nos primeiros dias teve bom tempo com muito sol, mas depois tiveram quase três dias de muita chuva que me prenderam na Marina. Esta chuva causou uma tragédia em Angra dos Reis como foi noticiado em todo Brasil. Nestes dias de tempo ruim, se não desfrutei das navegadas e diversas ancoragens que o bom tempo proporciona, tive o prazer de estar com outros velejadores que estavam assim como eu procurando ocupar o tempo. Eu, o Molina do veleiro Xixagu, o Aero do Paz verde e o Betão do Om, passamos os dias ora indo para cidade tomar umas e andar a toa, ora inventando almoço e jantar em um dos barcos, sempre jogando muita conversa fora até altas horas. Quando o tempo melhorou, cada um em seu barco, fomos ao Engenho, e depois eu segui para a Ilha da Cotia onde estive com o Paulo e Vanessa do veleiro Aventura e o Alexandre e Helo do Flash. Portanto desfrutei muito da companhia de outros velejadores em ancoragens tranqüilas e sempre que soprava um ventinho saia para velejar a toa. Não retornei a SP antes porque os ingressos do jogo Santos e Corinthians se esgotaram, mas tive o prazer de ver meu time Campeão a bordo do Champa na pequena TV PB que mantenho a bordo para algumas poucas ocasiões. Li um excelente livro chamado Uma Viagem Para Loucos que fala sobre a primeira regata em solitário e sem escalas realizada no final da década de 60, ouvi muita musica da melhor qualidade. Todos os detalhes estão no diário de bordo a seguir e nas paginas de fotos desta viagem. Boa navegada.

DIARIO DE BORDO

1º DIA

Havia passado dois dias em São Bernardo do Campo e ido a Santos assistir no telão o jogo do Santos contra o Grêmio que classificou o Peixe para a final. De Santos a Paraty tive que pegar um ônibus até Caraguatatuba, depois um coletivo até Ubatuba e finalmente outro ônibus até Paraty. Sai de Santos as 11hs e cheguei a Paraty as 23hs, o mesmo tempo que gasto saindo de Cuiabá. Depois de um bom banho, dormi muito bem já embarcado.

2º DIA

Pulei cedo e sai as compras. Voltei por volta de 12hs e zarpei rumo ao Engenho em uma navegada tranqüila de 1.30hs. Arrumei as compras e a bagagem, dei uma geral no barco, pus a cerveja pra gelar e fiquei curtindo o final do dia tomando banho de chuva. Nem desembarquei.

3º DIA

Dia tranqüilo de muito sol. Desembarquei para tomar banho no riacho do Engenho, lavei algumas roupas e fiquei andando a toa. A tarde como tinha que ligar o motor para carregar as baterias, fui dar uma volta contornando a Ilha do Mantimento. Na volta ancorei um pouco mais distante da praia para dormir mais tranqüilo.

4º DIA

Domingo, dia 08 de Dezembro de 2002, dia de meu aniversário, 40 anos. Se estivesse em Cuiabá, claro, faria uma festa como sempre e seria muito bom, mas seria somente mais uma festa que se perderia no tempo entre tantas. Optei por passar embarcado e velejando. Poder optar por isso foi muito representativo e sabia que se tornaria um dia inesquecível, e foi, fiz um dia perfeito. Pulei bem cedo, fiz a barba, comi muito bem, pus uma roupa limpa e, claro, sai para velejar a toa. Motorei um pouquinho e próximo a Ilha dos Ganchos abri os panos e segui num vento fraco mas constante que me levava entre 3 e 4.5 nós, uma delicia. Fiquei assim horas ouvindo musicas da melhor qualidade, saboreando comidinhas e tomando cervejas bem geladas. Deixei o celular ligado e recebi muitos telefonemas. Poder descrever aos amigos e familia o visual daquele dia e a sensação daquela velejada tão especial para mim foi um prazer a mais que todos puderam compartilhar comigo. O tempo começou a fechar e o vento aumentou, aproei o Champa para a Marina e segui numa velejada de sonhos até bem próximo da poita. Cheguei na poita por volta das 16.30hs. Só deu tempo de comer algo e ligar a TV para ver o Peixe ganhar de 2 a 0 no primeiro jogo da final: meu melhor presente. Nos meus planos constava ir para Paraty jantar muito bem, mas choveu muito e a noite inteira, então preparei um bom jantar e nem desembarquei. Agradeci a Deus e dormi muito feliz, terminando um dia inesquecível como eu queria que fosse.

5º DIA

Nooossa como choveu, a chuva não parou. Em Angra dos Reis a coisa ficou feia, choveu em 10hs mais chuva do que o previsto para 15 dias de Dezembro. Recebi a visita do Zé Henrique do veleiro América, tapei algumas goteiras, dei uma organizada no Champa e fiquei bem quietinho. Detesto mexer com manutenção em dias de chuva, parece que nada da certo e tudo fica úmido e sujo. No final de tarde, eu, o Molina (veleiro Xixagu) e o Aero (veleiro Paz Verde) seguimos para Paraty e ficamos andando a toa embaixo de uma garoa constante. Paramos no Bar Coupe e tomamos todas.

6º DIA

Continuou chovendo. Nas reunimos no Xixagu para comermos um macarrão preparado pelo Aero. Comemos, bebemos e cada um foi dormir um soninho. As 17hs nos reunimos no Champa e depois de umas caipirinhas seguimos em 4 num bote para trazer o Veleiro Om do Betão que estava em outra marina há uns 2km para mais perto de nos. Daí ficamos no Om ate umas 23hs bebendo e conversando. Fui dormir miando, que cachaça...

7º DIA

O dia amanheceu sem chuva. Fomos para Paraty fazer algumas compras e almoçar. Embarquei e segui de volta para o Engenho, não agüentava mais ficar na Marina, não é essa a vocação do Champa. Em 1.30hs cheguei ao Engenho. Logo depois chegaram o OM e o Xixagu. Nos reunimos no Champa para jantar e ficamos ate bem tarde conversando, o Molina contou em detalhes a sua travessia do Atlântico ida e volta a bordo do Domani com somente ele e o Mario, comandante e proprietário do barco. Uma riquíssima experiência.

8º DIA

Fui de bote até o meio da baia tentar uma ligação no celular para Cuiabá, um bom exercício. Nos reunimos para almoçar no Champa e desembarcamos para passear pela praia e tomar banho no riacho. Todo mundo limpinho cada um foi ao seu barco dormir um sono, a tarde caiu nebulosa e garoenta. Já de noite o Molina veio e ficamos conversando, la pelas 23.30hs quando já íamos nos despedindo o Betão acordou e veio com o pique todo, daí a conversa seguiu até as 2.30hs da manhã.

9º DIA

Almoçamos no Champa. O Xixagu voltou para a Marina e o Om seguiu para a Ilha Grande. Eu sai para velejar e fiquei dando bordos na baia numa tarde nublada. Voltei para o Engenho já quase noite. Nesta época as 20hs ainda esta claro, o que eu acho uma delicia, aproveita-se bem o dia.

10º DIA

Segui para a Ilha da Cotia num delicioso contra vento. Contornei a ilha do Mantimento, passei entre a Ilha Comprida e Catimbau e entrei empopado no canal que vai para a baia de Paraty-Mirim. Daí dei uma motorada para o sensacional abrigo da ilha da Cotia. Desembarquei para tomar uma no Bar do Damião, o único botequinho na prainha que tem na Ilha. Peguei gelo com um barco de pesca. Daí chegaram o Alexandre e a Helo no Veleiro Flash, conversamos um pouco a bordo e eles retornaram a Pty. Combinamos de participar com o barco dele, que é um Velamar 32 com vocação de regata, da Semana de Vela de Ilha Bela do próximo ano. A noite, ouvi sem querer é claro, um barulhento “sexo selvagem” com porrada e tudo que rolou em um outro veleiro ancorado por aqui. Divertido.

11º DIA

Passeei de bote, mergulhei e fui almoçar uma deliciosa lazanha com o Paulo e Vanessa no veleiro Aventura. O Paulo me pediu um reboque porque ele estava com problemas na parte elétrica. Saímos da Cotia as 14hs, queria retornar para a Marina para ver a final do Campeonato brasileiro. Rebocando, a rotação do motor que me levaria a 5.5 nós, nos levava a pouco mais de 3´. Levamos quase 3hs para chegar a Pty e ancorei com o jogo por começar. Assisti ao jogo na pequena TV preto e branco que eu tenho justamente para estas ocasiões. VIVA, depois de um tremendo sufoco “O SANTOS, MEU AMOR, É O CAMPEÃO BRASILEIRO”. Gastei toda a buzina spray de emergência do barco comemorando os 3 gols do peixe e a vitória, enlouqueci de alegria. Segui para a cidade com camisa, boné e bandeira. PIREI. Sambei e cantei o Hino com um pessoal muito simpático que toca um pagodinho num bar da entrada do centro histórico, paguei cerveja para meio mundo e comemorei muito com os poucos santistas que encontrei pelo caminho. Dormi nas nuvens. PQP que ano: o Champa começou o ano com motor novo, a seleção foi Penta, o Lula foi eleito e finalmente o Santos é Campeão.

12º DIA

Dia de ir embora. Ajeitei tudo no barco e, vestindo camisa e boné do campeão, parti para SP de carona com o Molina. Antes de irmos passei na banca de jornal em Paraty para comprar os jornais de esportes e o dono da banca falou que ontem havia um santista louco com uma bandeira nas costas andando por todos os botecos da cidade, quem seria?. O Molina me deixou em Cumbica e de la peguei o ônibus até Congonhas e embarquei na Gol as 22.30 chegando em Cuiaba ás 23.30hs já descontando o fuso horário.

Se tudo der certo, volto em fevereiro.

Bons ventos

Fernando

sábado, dezembro 21, 2002


Praia do Engenho Posted by Hello